Rafael Bataglia Popp, editor chefe da revista “Superinteressante”, ao apresentar a edição 485, de março de 2026, trata de um assunto super sério e que tem tudo a ver com a temática fixa aqui do Instituto Casa da Ponte (ICP): a questão dos testes de QI trazendo o risco de resvalar na eugenia, isto é, um conjunto de ideias e práticas que visa a “melhoria” genética da população humana, selecionando características consideradas desejáveis e eliminando as indesejáveis, física ou mentalmente.

Popp inicia a sua análise com a observação de como Donald Trump utiliza a expressão “baixo QI” para desqualificar oponentes e até populações inteiras, estabelecendo de imediato o tom sobre a instrumentalização e a valoração social da inteligência medida por testes. O autor rapidamente desqualifica essa premissa, salientando que considerar “baixa pontuação de QI um demérito” é um erro fundamental, apontando para a arbitrariedade e a falta de base real de tal julgamento. Em seguida, Bataglia Popp direciona o foco para o Vale do Silício, onde essa “obsessão com os testes em si” atinge níveis alarmantes e se manifesta de maneira indiscriminada em diversas esferas. Ele detalha como o QI se tornou um critério para admissão em “escolas de ponta”, influenciando a educação desde a infância, e é utilizado no mundo corporativo para a contratação de funcionários, sugerindo uma busca por “melhoria” intelectual na força de trabalho. A mercantilização da inteligência chega até a esfera pessoal, com a busca por “parceiros românticos com QI elevado” e a figura da “cupido intelectual de CEOs”. O ponto mais alarmante, contudo, é a ascensão de startups que oferecem análises genéticas para prever a “probabilidade de bebês nascerem com QI alto”, permitindo a seleção de embriões in vitro por valores consideráveis.

Para reforçar o caráter eugênico dessas práticas, o autor conecta as tendências atuais a figuras influentes, tanto históricas quanto contemporâneas. Ele evoca William Shockley, um dos criadores dos transistores, que defendia a não-reprodução de pessoas com QI baixo, e aponta como essa ideia ressoa em “figurões do mundo tech” como Peter Thiel, que investe em startups preditoras de inteligência, e Elon Musk, que defende a reprodução abundante de pessoas “brilhantes”. Essas menções são cruciais para demonstrar que a ideia eugênica, muitas vezes disfarçada de “otimização” ou “avanço tecnológico”, ainda encontra eco e financiamento nas mentes mais influentes da tecnologia atual. O texto culmina com o alerta de que a supervalorização dos resultados de testes cognitivos pode “descambar para a eugenia”, reiterando a definição de que há pessoas com características superiores cuja reprodução seria incentivada em detrimento de outras.

A crítica mais incisiva do autor emerge em sua defesa de soluções coletivas. Ele lamenta que o Vale do Silício tenha se transformado em uma “distopia de soluções individuais para problemas coletivos” e questiona, de forma assertiva, “Em vez de selecionar bebês superdotados, por que não universalizar um ensino de qualidade?”. Essa pergunta encapsula a essência do seu argumento e contrapõe a lógica eugênica ao defender que “O ambiente, afinal, influencia tanto quanto a genética em nossa inteligência”, desacreditando a premissa determinista da eugenia. Embora encerre o texto com uma nota de desilusão diante das “ideias torpes” que surgem, Bataglia Popp mantém uma tênue esperança de que ainda existam pessoas no Vale do Silício dispostas a usar a tecnologia para resolver os “reais problemas da humanidade”.

P. Rafael Vieira, CSsR

Brasília, 20.03.2026

O Instituto Casa da Ponte é uma ONG que une tecnologia e humanização, construindo pontes entre gerações para promover inclusão digital, autonomia e fraternidade em Brasília e no Entorno.

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