Eis a análise de um artigo publicado na quinta 16 de abril, pelo colunista do Segundo Caderno de “O Globo” com o título: “Quem educa os adultos para as redes?”. Uma discussão muito pertinente ao trabalho do Instituto Casa da Ponte (ICP) no campo da promoção da fraternidade no mundo digital.
O artigo inicia-se com uma vívida anedota pessoal, onde o autor narra o desconforto de um almoço com uma amiga constantemente conectada ao celular, apesar de ter sido ela a iniciar o convite. Essa experiência serve como ponto de partida para a reflexão sobre a dependência digital, que o autor metaforiza como uma “cocaína digital”, um impulso irrefreável que afeta o convívio social. A constatação de que a amiga sequer desejava estar ao celular, mas não conseguia resistir ao movimento, ressalta a natureza compulsiva e inconsciente dessa adição, que muitas vezes passa despercebida pelos próprios usuários.
Expandindo a observação individual para um panorama nacional, o texto argumenta que a gigantesca capacidade de mobilização e engajamento dos brasileiros em fenômenos como o Oscar, eleições ou Big Brother apenas comprova a falta de inteligência emocional para discernir o uso razoável das redes. O autor destaca o dado alarmante de que os brasileiros passam, em média, nove horas por dia online, o que levanta questões sobre as prioridades e a gestão do tempo. A crítica se aprofunda ao apontar que “muita gente graúda” lucra significativamente com essa dependência alheia, evidenciando uma exploração econômica da adição digital.
Diante desse cenário, o artigo aborda a recente regulamentação do ECA Digital, voltada à proteção de crianças e adolescentes na internet. A nova lei impõe regras rígidas para empresas, proibindo mecanismos que fomentem a dependência e gerem ansiedade ou depressão em menores. Contudo, o autor questiona por que essa discussão e, potencialmente, essas regulamentações não se estendem aos usuários adultos. Ele levanta a pertinente indagação sobre quem educa os adultos para o uso consciente das redes e quem exerce o “controle parental” sobre aqueles que já não são mais controlados por pais, sublinhando uma lacuna na abordagem da saúde digital.
Finalizando com propostas provocativas, o autor fantasia sobre regras drásticas para as redes sociais, como o fechamento automático de aplicativos após uma hora de uso ou a limitação de posts e comentários. Embora reconheça que tais medidas poderiam ser vistas como censura, ele as defende como um “desmame forçado” e um “detox urgente” para quem não consegue se desvencilhar sozinho. A preocupação do presidente Lula com a “jogatina desenfreada” das bets é citada como um paralelo, reforçando a ideia de que, quando a razão se perde entre os adultos, é preciso que uma instância mais responsável intervenha para conter excessos.