Ficar offline beneficia a saúde Mental


Em um mundo cada vez mais conectado, a ideia de se desconectar pode parecer contraintuitiva, mas a especialista em marketing digital, comunicação e inovação, Rosário Pompeia, coautora do livro “Marketing do Futuro” e sócia-fundadora da LeFil Company, trouxe uma perspectiva essencial durante sua conversa com a âncora Petria Chaves na Rádio CBN. No dia 12 de abril, Rosário destacou que o ato de ficar offline não é apenas benéfico, mas crucial para nossa saúde mental.

Sua afirmação baseia-se em um estudo notável publicado pela revista PNAS, ligada à Universidade de Oxford. Esta pesquisa multidisciplinar, envolvendo acadêmicos de diversas instituições, revelou que nosso declínio cognitivo pode ser significativamente retardado. A especialista sublinhou um dado impactante: a abstinência da conexão constante em nossos dispositivos móveis pode nos “dar” dez anos de saúde cognitiva em uma década. Isso desafia diretamente a tão comum “síndrome do FOMO” (Fear Of Missing Out), aquela sensação de que estamos perdendo algo importante ao não verificar o celular a todo instante.

Rosário Pompeia esclareceu um ponto vital: a questão central não reside no aparelho celular em si, mas sim no que ele trouxe consigo – a internet móvel, a conexão direta e a disponibilidade ininterrupta. O estudo, conduzido nos Estados Unidos e no Canadá, envolveu 467 participantes com idade média de 32 anos. Durante duas semanas, eles tiveram acesso à internet apenas no computador, eliminando a conexão “no bolso”. Os resultados foram claros: houve ganhos substanciais em foco, melhoria do humor e uma notável sensação de bem-estar geral.

A especialista alertou para um hábito que se tornou corriqueiro e prejudicial: as microinterrupções constantes para checar o celular. Seja durante a leitura de um livro, a prática de exercícios físicos ou uma conversa importante, paramos repetidamente para conferir as “últimas”. Rosário enfatiza que estas interrupções não são rápidas como imaginamos. Uma breve olhada pode se desdobrar em uma sequência de verificações, compartilhamentos e novas descobertas que rapidamente consomem minutos valiosos, minando nossa capacidade de engajamento genuíno com a atividade presente. Essas interrupções acumuladas, segundo ela, podem consumir uma ou duas horas do nosso dia. Petria Chaves resumiu a situação com perspicácia: “uma ou duas horas da sua vida escorre de suas mãos no grande nada.”

A verdadeira discussão, portanto, não é sobre o celular, mas sobre o tipo de conexão à qual estamos nos moldando e como nossa atenção está sendo capturada. Para mitigar esse impacto, Rosário sugere medidas práticas como a limitação de planos de dados, forçando uma desconexão obrigatória quando o limite é atingido. A âncora Petria Chaves, complementando o debate, mencionou o autor André Carvalhal e seu conceito de JOMO (Joy of Missing Out – a alegria de ficar de fora). Carvalhal propõe a desconexão digital como um caminho para se reconectar com a vida real, a natureza e consigo mesmo, criticando a performance e a produtividade incessantes exigidas pelas redes sociais e oferecendo alternativas analógicas para um equilíbrio saudável entre o mundo online e offline.

P. Rafael Vieira, CSsR

Imagem: gerada por IA

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