Para muitas mulheres, empreender não começa com uma empresa montada, uma equipe ou um grande investimento. Começa com uma necessidade: aumentar a renda, conquistar independência financeira ou transformar uma habilidade em uma oportunidade de trabalho. No entanto, esse caminho costuma ser percorrido junto a uma rotina marcada pelo trabalho, pelos cuidados com a casa e pela responsabilidade com a família.

Uma pesquisa recente ajuda a dimensionar esse desafio. O estudo “Empreendedorismo 2026”, realizado pelo Consumer Insights UOL, ouviu 1.300 pessoas, sendo 650 mulheres e 650 homens, entre abril e maio deste ano. Entre as mulheres empreendedoras entrevistadas, 56% apontaram a sobrecarga da dupla jornada e das responsabilidades familiares como uma das principais dificuldades para empreender. O preconceito e a falta de credibilidade aparecem ainda à frente, citados por 61%.

O desafio, portanto, não está apenas em ter uma boa ideia ou vontade de abrir um negócio. É também encontrar tempo, informação, ferramentas e apoio para transformar essa ideia em algo sustentável.

Capacitação como caminho para novas possibilidades

Diante dessa realidade, a busca por conhecimento aparece como uma importante aliada. Segundo o mesmo levantamento, 55% das mulheres empreendedoras afirmam buscar frequentemente cursos de gestão, enquanto 60% já participaram de algum programa de capacitação ou apoio ao empreendedorismo.

A tecnologia também ocupa um espaço cada vez maior nessa jornada. 63% das empreendedoras entrevistadas afirmam utilizar redes sociais e internet para vender. Entre as ferramentas mais valorizadas estão o WhatsApp Business, considerado indispensável por 67% delas, e o Canva, citado por 49%.

Os números mostram uma mudança importante: para muitas mulheres, o ambiente digital deixou de ser apenas um espaço de comunicação e passou a fazer parte da própria estratégia de trabalho.

E isso pode ser especialmente significativo para quem precisa conciliar o empreendedorismo com uma rotina familiar intensa.

Quando o celular vira ferramenta de trabalho

É nesse cenário que ferramentas digitais podem fazer diferença. Um celular conectado à internet pode ajudar uma empreendedora a divulgar seus produtos, conversar com clientes, organizar pedidos, produzir conteúdo, receber pagamentos, pesquisar preços e até utilizar inteligência artificial para determinadas tarefas.

Mas ter acesso à tecnologia não significa, necessariamente, saber utilizá-la.

É justamente aí que entra o letramento digital: aprender não apenas a utilizar uma ferramenta, mas compreender como ela pode ser aplicada de maneira segura, consciente e estratégica no cotidiano.

Para uma mulher que já produz alimentos, trabalha com artesanato, presta serviços de beleza, vende roupas ou possui qualquer outra atividade, aprender a apresentar o próprio trabalho no ambiente digital pode significar alcançar novos clientes e ampliar as possibilidades de renda.

Tecnologia com propósito

O Instituto Casa da Ponte atua justamente nessa aproximação entre pessoas e tecnologia. Por meio do Conectando Futuros, o Instituto oferece formação em empreendedorismo digital, buscando transformar ferramentas que muitas vezes parecem complexas em recursos acessíveis para quem deseja trabalhar e gerar renda.

A proposta parte de uma ideia simples: a tecnologia precisa estar a serviço das pessoas.

Durante as formações, os participantes aprendem sobre empreendedorismo digital, redes sociais, marketing, inteligência artificial aplicada aos negócios, educação financeira, criação de conteúdo e outras ferramentas que podem ser utilizadas no dia a dia de pequenos negócios.

Mais do que ensinar a apertar botões ou utilizar aplicativos, a capacitação busca estimular autonomia. Afinal, não basta entregar uma ferramenta a alguém se essa pessoa não sabe como utilizá-la para resolver um problema real.

Mulheres que descobriram novas possibilidades

Essa transformação também aparece nas histórias de quem já passou pelo Conectando Futuros.

A empreendedora Doraci Carvalho, que trabalha de forma autônoma no ramo de decoração, conta que o curso ajudou a enxergar o próprio negócio de outra maneira. Durante a formação, aprendeu sobre precificação, valorização do próprio trabalho e utilização da tecnologia a favor da atividade que já desenvolvia.

Para ela, a experiência representou uma oportunidade de sair daquilo que conhecia e ampliar seus horizontes. Como resumiu ao falar sobre a formação, foi uma maneira de “furar a bolha do conhecimento”.

A experiência também foi marcante para Viviane Oliveira, que sempre teve o desejo de empreender e buscava alternativas para não depender de uma única possibilidade profissional.

Ao longo do curso, ela destacou aprendizados relacionados à organização e ao planejamento, além do fortalecimento da confiança no próprio potencial. As trocas com outras participantes também fizeram parte desse processo. Para Viviane, a experiência foi um divisor de águas, contribuindo tanto para seu crescimento pessoal quanto profissional.

São histórias que mostram que capacitar não significa apenas transmitir conteúdo. Muitas vezes, significa ajudar alguém a perceber que é capaz de fazer mais.

Empreender também é conquistar autonomia

A pesquisa do Consumer Insights UOL mostra ainda que a busca por independência financeira é um dos principais motivos que levam brasileiros ao empreendedorismo. Entre as mulheres, o controle sobre o próprio tempo também aparece com força: 62% dizem valorizar muito essa possibilidade.

Ao mesmo tempo, a própria pesquisa revela que conciliar vida pessoal e profissional continua sendo um desafio para muitos empreendedores. Para as mulheres, essa realidade ganha ainda mais peso quando se considera a dupla jornada.

Dados do DIEESE ajudam a compreender essa sobrecarga. Considerando o trabalho remunerado e as atividades domésticas e de cuidado, a jornada semanal média chega a 55 horas para as mulheres, contra 53 horas para os homens. O levantamento ressalta que essa carga reduz o tempo disponível para outras dimensões da vida, incluindo educação, lazer e participação social.

Por isso, iniciativas de capacitação que aproximam conhecimento e tecnologia podem representar mais do que uma oportunidade profissional. Podem ser uma ferramenta de autonomia. Para o Instituto Casa da Ponte, esse processo precisa chegar também a quem historicamente encontra mais dificuldades para acessar oportunidades de formação.

A tecnologia pode abrir portas. Mas é o conhecimento que ajuda as pessoas a atravessá-las.

E, para muitas mulheres, aprender a utilizar o celular para divulgar um produto, organizar um negócio ou encontrar novos clientes pode ser o primeiro passo para transformar uma habilidade que já existia em uma nova possibilidade de futuro.

Conectando Futuros

O Instituto Casa da Ponte oferece o Conectando Futuros, programa de formação em empreendedorismo digital que trabalha conteúdos relacionados a tecnologia, marketing, inteligência artificial, redes sociais, educação financeira e ferramentas digitais para negócios. As iniciativas são voltadas à capacitação e à ampliação das oportunidades de geração de renda por meio da tecnologia.

O Instituto Casa da Ponte é uma ONG que une tecnologia e humanização, construindo pontes entre gerações para promover inclusão digital, autonomia e fraternidade em Brasília e no Entorno.

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